Jornais e a mediação documentária: análise discursiva sobre o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (1954–1959)
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Resumo
Examina a cobertura jornalística sobre o Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação (IBBD), entre 1954 e 1959, com o propósito de compreender o papel do jornal na constituição discursiva e pública dessa instituição. A investigação parte da concepção do jornal como documento e mediador discursivo, responsável por registrar, interpretar e legitimar práticas sociais e científicas. Trata-se de uma pesquisa documental e histórica, de abordagem qualitativa e caráter interpretativo, fundamentada na Análise do Discurso e na perspectiva da mediação documentária. O corpus é composto por doze matérias e onze fotografias publicadas em seis jornais de grande circulação nacional, entre eles Correio da Manhã, A Noite, Jornal do Brasil e Diário de Notícias, etc, consultados na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional. Os resultados revelam que o discurso jornalístico teve participação decisiva na legitimação do IBBD, ao construir uma narrativa de racionalidade, eficiência e modernização. Inicialmente, a imprensa destacou sua criação e função técnica; posteriormente, enfatizou sua modernização e internacionalização, até personificar sua imagem na liderança de Lydia de Queiroz Sambaquy. Conclui-se que a imprensa não apenas registrou a trajetória do Instituto, mas participou de modo propositivo em sua institucionalização, conferindo-lhe legitimidade e valor histórico. O estudo reafirma o jornal como mediador da informação e documento de memória, evidenciando sua relevância para a compreensão da organização social do conhecimento no Brasil.
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