A anatomia do conhecimento indígena na perspectiva da Ciência da Informação: uma percepção epistemológica

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Diego Leonardo de Souza Fonseca

Resumen

Este artigo propõe uma análise da estrutura epistemológica do conhecimento indígena, com foco em suas características, tipologias, níveis e categorias, a partir de uma perspectiva crítica ancorada na Ciência da Informação e nas epistemologias decoloniais. Através de revisão narrativa de literatura fundamentada na tese de Fonseca (2025), o estudo identifica dimensões essenciais como oralidade, ancestralidade, espiritualidade e territorialidade, e propõe uma tipologia conceitual que abrange conhecimentos tácitos, sagrados, comunitários, cerimoniais e documentados. Argumenta-se que tais saberes não se encaixam nos paradigmas modernos de gestão do conhecimento, exigindo metodologias interculturais e sensíveis à diversidade epistêmica. A partir da noção de uma “anatomia” do conhecimento indígena, propõe-se a construção de modelos de gestão informacional baseados na escuta ativa, no respeito ao segredo ritual e na valorização do protagonismo das comunidades. Conclui-se que reconhecer e proteger esses saberes é tarefa ética e política urgente, e que a Ciência da Informação tem papel central na formulação de políticas e sistemas inclusivos. O artigo aponta, ainda, caminhos para futuras pesquisas sobre epistemologias indígenas, digitalização crítica e governança comunitária da informação.

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Biografía del autor/a

Diego Leonardo de Souza Fonseca, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas, Brasil

Doutor em Ciência da Informação pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Bibliotecário-Documentalista do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas(IFAM)

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